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TOP OF THE ROCK’S 2007

Por mais que algumas pessoas não gostem de listas, talvez porque ainda não entenderam a diversão que é fazer, ler, discutir, reformular, entre outras coisas, eu decidi fazer uma e refletir rapidamente sobre os álbuns que mais tocaram nas minhas caixas de som em 2007. Sugestões sobre álbuns que não entraram nesta lista podem ser deixadas nos comentários. Para que os álbuns indicados recebam a atenção devida, sejam resenhados, e apareçam por aqui futuramente, ou não.

Robert Plant & Alisson Krauss – Raising Sand (Outubro)

Alisson Krauss é a expressão do bluesgrass que Robert Plant, ex-vocalista do Led Zeppelin, sempre desejou ser. As versões de canções tradicionais e outras de qualidade ímpar apresentam uma energia sobrenatural, rústica – mas com tratamento sonoro moderno – para duas vozes que mereciam se encontrar. O estado de pureza deste álbum é apresentado através de um ritmo originalmente americano, muito mais próximo do som que Plant protagonizou com sua antiga banda, do que com as viagens orientais em seus últimos álbuns solo.

Iron and Wine – The Shepherd’s Dog (Setembro)

A voz quase sussurrada da banda de um homem só, Samuel Beam, teve sua produção low-profile transmutada para um álbum de qualidade peculiar, para que as nuances musicais casassem de maneira vital. Do folk tipicamente americano de voz e violão, emergiu uma forma em que os ritmos e percussões climatizam a mente para uma viagem musical por outras terras. Instrumentos e ritmos não convencionais ao estilo anglo-saxônico – oriundos da América Latina, ou percussões orientais – aparecessem nas composições deste álbum, criando um minimalismo musical extraordinário e extremamente saudável de audição.

Patti Smith – Twelve (Abril)

A poeta do rock sempre protagonizou covers com excelência, originalidade e muitas intervenções nas letras. Neste álbum ela simplesmente escolheu canções que tivessem força em sua mente, que lhe agradassem, e mostrou como elas podem em muitos momentos serem melhores do que são nas suas versões originais. Do mais inusitado, como Everybody Wants to Rule The World, do Tears for Fears – que aparece aqui com muito mais impacto do que na original – a esperada Gimme Shelter, dos Stones – trazendo o clima pesado da gravação original, esquecida um pouco das versões apresentadas ao vivo pelos autores – há também a versão campestre para Smells Like Teen Spirit, do Nirvana, ou com desfecho onírico de Pastime Paradise, Patti prova que, tratados com respeito e seriedade, essas canções podem parir novos sentimentos, reacender outros já esquecidos, e dar a verdadeira paisagem para algo que não era tão comovente.

Wilco – Sky Blue Sky (Maio)

A banda de Jeff Tweedy protagonizou um álbum em que os delírios guitarrísticos de Neil Young se unem a melodia pop de Paul McCartney, quando este estava na fase mais introspectiva dos Beatles. A banda gravava enquanto compunha o álbum, isso fez com que a sensibilidade da criação fosse sentida através das caixas de som. Este é provavelmente o melhor álbum que o Wilco produziu até o momento. Já foi resenhado aqui anteriormente.

Amy Winehouse – Back To Black (Dec-2006/2007)

Como o álbum mais desbocado e comentado de 2007 teve sua primeira versão lançada em 19 de Dezembro de 2006, e as outras seis versões em 2007, não podemos dar de ombros, e dar as boas vindas para a black music da senhora da taberna, Amy Winehouse. As canções são cheias de desespero e bebida.
Amy apresenta a doçura da dor de seu amor em letras pesadas, enquanto o soul que se espalha pelo álbum é moderno e, ao mesmo tempo, caracteristicamente focado na geração Motown. Se tivesse lançado pela gravadora em sua fase áurea, ninguém perceberia a diferença.

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UMA SURPRESA IRRESISTÍVEL

WILCO – Sky Blue Sky (2007)

“Eu devo ficar satisfeito, eu não morri”. Essa é parte da letra de Sky Blue Sky, música que também acabou batizando o sexto álbum de estúdio do Wilco, lançado neste ano. A frase parece ironizar a capacidade de artistas, como Sir Mick Jagger, de sentirem-se insatisfeitos desde a década de 60, e ainda buscarem mais, mesmo estando com mais de 60. Mas um disco da banda de Jeff Tweddy, o homem cérebro do Wilco, não serve apenas para isso. A ainda sensação independente da banda os coloca numa espécie de mainstream paralelo e indiferente às paradas americanas que tentam ditar o que é cool.

Embora alguns críticos retalharam o álbum e, consequentemente, Tweddy, Sky Blue Sky caminha sereno entre os melhores trabalhos da banda, e um dos melhores do ano. Agora como um sexteto, com a adição do guitarrista Nels Cline e do multi-instrumentista Pat Sansone, o Wilco se fechou em estúdio e trabalhou sentimentos de maneira racional e sóbria nas letras, colocando a parte passional em belos arranjos que foram estruturados detalhadamente por todo o álbum. Sem experimentalismos desta vez, a sensação é de que as letras foram compostas depois de cada arranjo pronto, pois, as guitarras são o foco principal deste céu monocromático, mas sempre belo, de Sky Blue Sky. Mas essa não é uma sensação óbvia. Apesar de alguns solos tipicamente Neil Young roqueiro, a maioria das canções lembram um McCartney melodioso, ou mesmo o soft rock setentista, mesmo porque as foram gravadas ao vivo no estúdio, recebendo sobreposições posteriormente, dá pra sentir os instrumentos vazando pelos microfones alheios. As guitarras estão expostas sem distorções ofuscantes, experimentalismos com microfonias, ou harmonias monocórdias.

O álbum parece um Neil Young meets Beatles, com ênfase nas composições de McCartney. Embora seja nítida a apreciação do velhinho canadense pelo parceiro morto de McCartney, é no Wilco que a junção Young-McCartney soa frutífera. A primeira porção deste amálgama aparece em You Are My Face, outro exemplo ótimo fica por conta de Hate It Here. O lado apenas alt-country de SummerTeeth (1999), é revisto em What Light e Please Be Pacient With Me. Enquanto Walken e On and On and On soam exatamente como uma composição do Beatle Paul, muito por conta do piano de Mikael Jorgensen. É essa aparentemente bagunça de country, folk e soft rock misturado e adoçado com uma psicodélica de dedicação beatle para composições é o grande atrativo em Sky Blue Sky.

Este álbum entrou na lista dos melhores de 2007. Confira o post!!!