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SEGUINDO O INSTINTO

Ben Harper and the Innocent Criminals – Lifeline – 2007

A oitava produção de Ben Harper, Lifeline, contém o ‘amálgama de banda’ que não foi explorado em seu disco anterior, duplo e, até um tanto conceitual, Both Sides of the Gun, de 2006.

Extremamente trabalhado nas passagens de som durante a turnê de Both Sides’, as canções foram bem estruturadas para, em apenas uma semana de novembro de 2006, serem gravadas todas em processo analógico, em um estúdio em Paris, algo que Harper almejava há tempos.

As canções de Lifeline não trazem as viagens de Weissenborn características de Harper, a não ser pela penúltima, a instrumental e acústica “Paris Sunrise #7″, feita inteiramente no instrumento. Lifeline agrega as letras do músico californiano com o trabalho instrumental de todos os integrantes da Innocent Criminals – atualmente formada por Juan Nelson (baixo), Oliver Charles (bateria), Leon Mobiley (percussão), Jason Yates (teclados) e o novo integrante, Michael Ward, ex-Wallflowers.

Compare as capas de Both Sides of the Gun e Lifeline. No trabalho anterior, Harper aparece sozinho de braços cruzados na capa, enquanto em Lifeline, o músico está na mesma posição, mas rodeado de seus escudeiros, demonstrando que é um trabalho de banda.

Há muito soul em todas suas vertentes pelas faixas de Lifeline. Mas, há também um pouco de black tipicamente Motown, country e até o Ben Harper do início de carreira. “Fool for a Lonesome Train” lembra os Stones country do início da década de 70, quando Gram Parsons era uma grande influência para Keith Richards. “Heart of Matters” e “Say Will You” estão bem próximas do trabalho realizado em There Will Be A Light (2004 – e resenhado aqui anteriormente), parceria com os músicos do Blind Boys of Alabama. Inclusive, se colocarmos de lado o trabalho anterior de Harper, Lifeline parece uma seqüência lógica para o som desenvolvido em There Will Be A Light.

Mesmo tendo ficado nove meses na gaveta, e com pouco mais de 40 minutos, Lifeline não decepciona quem se deliciou com a abrangência musical de Both Sides of the Gun. Singelo e inspirado, o trabalho gravado em Paris está bem acima das produções de alta tecnologia que rodam por aí. Lifeline mostra que Ben Harper segue seu instinto. E, mesmo sendo um músico extraordinário, está acima de qualquer ego que possa prejudicar o principal fator de se produzir boa música.
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PARA TRAZER PAZ DE ESPÍRITO

Ben Harper & Blind Boys of Alabama

There Will Be A Light

2004

Unir tradição e revolução musical não é trabalho para qualquer artista. Mas, se tratando de Ben Harper, o assunto pode gerar essa improvável reunião. Para findar isso, ele se aliaou ao grupo de cantores Blind Boys of Alabama, e lançou no mercado em 2004, o premiado álbum There Will Be A Light. Nele, o músico californiano demonstra toda a sua bagagem religiosa e musical – rock, blues, jazz, reggae e principalmente gospel – temperado com o estilo refinado do afinadíssimo grupo vocal.

As gravações foram retiradas de duas sessões de estúdio, mostrando composições que trazem spirituals, cantos dos escravos negros do Mississipi, juntamente com o distinto e passional canto gospel. Ben Harper deixou de lado as distorções e produziu um álbum delicado, mas cheio de vida e swing. O timbre de seu Weissenborn – espécie de violão tocado sentado com um slide e corpo e braço ocos, feitos de uma peça só de madeira – rege as cores em ‘11th Commandment, um belo instrumental solo, em que o músico californiano deixa aflorar todo o seu sentimento. Além dos Blind Boys, que trazem um brilho forte para canções como ‘Take My Hand’, ‘Satisfied Mind, e a faixa título, Harper continua muito bem escudado pelos companheiros da Innocent Criminals. Marc Ford, ex-Black Crowes, é o guitarrista nessas sessões, e Jason Yates, além de contribuir com os teclados na banda, desenhou a arte gráfica do álbum. Com dez canções inéditas, e quase quinze pessoas nas sessões, apenas ‘Picture of Jesus, do álbum anterior, Diamonds on the Inside (2003), ganha uma nova leitura, mais gospel.

There Will Be A Light é um trabalho que carrega toda a emoção – cultural, musical e histórica – do povo negro americano. Suas raízes africanas, sua fé, seus sonhos e redenções estão expostos num álbum com um efeito pacificador na alma. Realmente trazendo um pouco de luz, para a escuridão que é o cenário musical no novo século.

Mais Ben Harper? Leia a resenha do álbum Lifeline clicando aqui!