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UMA SURPRESA IRRESISTÍVEL

WILCO – Sky Blue Sky (2007)

“Eu devo ficar satisfeito, eu não morri”. Essa é parte da letra de Sky Blue Sky, música que também acabou batizando o sexto álbum de estúdio do Wilco, lançado neste ano. A frase parece ironizar a capacidade de artistas, como Sir Mick Jagger, de sentirem-se insatisfeitos desde a década de 60, e ainda buscarem mais, mesmo estando com mais de 60. Mas um disco da banda de Jeff Tweddy, o homem cérebro do Wilco, não serve apenas para isso. A ainda sensação independente da banda os coloca numa espécie de mainstream paralelo e indiferente às paradas americanas que tentam ditar o que é cool.

Embora alguns críticos retalharam o álbum e, consequentemente, Tweddy, Sky Blue Sky caminha sereno entre os melhores trabalhos da banda, e um dos melhores do ano. Agora como um sexteto, com a adição do guitarrista Nels Cline e do multi-instrumentista Pat Sansone, o Wilco se fechou em estúdio e trabalhou sentimentos de maneira racional e sóbria nas letras, colocando a parte passional em belos arranjos que foram estruturados detalhadamente por todo o álbum. Sem experimentalismos desta vez, a sensação é de que as letras foram compostas depois de cada arranjo pronto, pois, as guitarras são o foco principal deste céu monocromático, mas sempre belo, de Sky Blue Sky. Mas essa não é uma sensação óbvia. Apesar de alguns solos tipicamente Neil Young roqueiro, a maioria das canções lembram um McCartney melodioso, ou mesmo o soft rock setentista, mesmo porque as foram gravadas ao vivo no estúdio, recebendo sobreposições posteriormente, dá pra sentir os instrumentos vazando pelos microfones alheios. As guitarras estão expostas sem distorções ofuscantes, experimentalismos com microfonias, ou harmonias monocórdias.

O álbum parece um Neil Young meets Beatles, com ênfase nas composições de McCartney. Embora seja nítida a apreciação do velhinho canadense pelo parceiro morto de McCartney, é no Wilco que a junção Young-McCartney soa frutífera. A primeira porção deste amálgama aparece em You Are My Face, outro exemplo ótimo fica por conta de Hate It Here. O lado apenas alt-country de SummerTeeth (1999), é revisto em What Light e Please Be Pacient With Me. Enquanto Walken e On and On and On soam exatamente como uma composição do Beatle Paul, muito por conta do piano de Mikael Jorgensen. É essa aparentemente bagunça de country, folk e soft rock misturado e adoçado com uma psicodélica de dedicação beatle para composições é o grande atrativo em Sky Blue Sky.

Este álbum entrou na lista dos melhores de 2007. Confira o post!!!