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TRIVIALIDADES MUSICAIS DA GRANDE IMPRENSA

Deixe de lado um pouco o festejado filme Shine A Light, de Martin Scorsese, documentando um show dos Rolling Stones, que está em pauta em todos os veículos de imprensa do mundo, e é colocado como a menina dos olhos no 58º Festival Internacional de Cinema de Berlim, e o escolhido para abrir a edição na última quinta-feira.
Deixar de lado porque há muito mais música registrada em película sendo apresentada no Festival, e, com certeza, isso aparecerá em vídeo num futuro próximo por aqui. Já outros dois registros extra-musicais são tão importantes quanto mais um show dos Rolling Stones – sem querer desprestigiar os Stones e Scorsese, mas já há vários registros de shows dos Stones, embora este seja provavelmente o melhor…
Neil Young comparece com seu documentário CSNY: Déjà Vu relatando a turnê Freedom of Speech, que ele e seus amigos Stephen Stills, David Crosby e Graham Nash realizaram em protesto a Bush e sua guerrinha particular no Iraque de proporções mundiais.
Outra artista a aparecer na telona é a poeta do rock, Patti Smith. O documentário Dream of Life, dirigido por Steven Sebring, retrata a vida da artista mais influente para o rock feminino desde então, e provavelmente não terá – e não teve desde sua primeira divulgação – a mesma atenção da grande mídia, pelo menos não pelas terras brasileiras. E olha que no último Sundance Film Festival, o documentário foi a bola da vez.

Mas para não deixar os Stones sem a merecida palhinha, veja o que foi publicado de Shine a Light


ENTRE O FOLK E O ROCK

Neil Young – Everybody Knows This Is Nowhere (1969)

Após lançar-se em carreira solo com seu primeiro álbum, o canadense Neil Young recrutou os músicos de uma banda chamada The Rockets para ensaiar e gravar em apenas duas semanas Evebody Knows This Is Nowhere, lançado em 1969, e garantir que esse registro entrasse para o grande mundo dos clássicos do rock. A química que rolou entre o guitarrista e os companheiros Billy Talbot (baixista), Ralph Molina (baterista) e Danny Whitten (guitarrista) foi de uma dose tão cavalar que, o nome da banda não poderia ser mais adequado: Crazy Horse.

Cinnamon Girl abre o disco dando amostras que a batida precisa do grupo seria a companheira perfeita para os delírios guitarrísticos de Young – sua marca registrada – e que reapareceriam ao longo do disco em Down by the River e Cowgirl in the Sand, que fecha o álbum num momento singular para todo o folk-rock da época. A voz cheia de angústia é paralelamente reconfortada pelo violino de Bobby Notkoff em Running Dry (Requiem For The Rockets), um contraponto com o resto do álbum que foi gravado praticamente ao vivo no estúdio. A música que dá título ao álbum e The Losing End (When You’re On), mostram que Young transpôs o som de sua antiga banda, a Buffalo Springfield, para sua nova empreitada. Round & Round (It Won’t Be Long) traz a participação da cantora Robin Lane, num dueto vocal com Neil, que parece desfocar da linha evolutiva do disco, mas ele mostra seu estilo inconfundível no violão e inspiração suficiente para não deixar a bola cair.

Produzido por David Briggs, o álbum permaneceu por quase cem semanas nas paradas americanas e é uma amostra do poder que o folk-rock exerceu na década de sessenta.