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SUA MAJESTADE: O BLUES!!!

Buddy Guy – Skin Deep (2008)

Ele acompanhou grandes nomes do blues, como Muddy Waters, além de lançar álbuns em parceria com o gaitista Junior Wells, levando o canto dos negros de volta às águas turvas do Mississippi. É influência para os melhores guitarristas do rock and roll, entre eles ninguém menos que Jimi Hendrix e Eric Clapton. Nos fim dos sixties, ele formou um power-trio e caiu nas estradas de ferro do Canadá, juntamente de vários roqueiros da cena de São Francisco e despejou distorção nos ouvidos de milhares, esbanjando sempre energia máxima e um sorriso evidente de satisfação. Ele pode ser considerado um dos últimos grandes bluesman em plena atividade, levando sua guitarra para gritar onde for solicitado. Sua última grande sacada foi reinar no palco numa jam de Champagne and Reefer juntamente dos Rolling Stones, enquanto Martin Scorsese filmava tudo para o documentário Shine A Light. Atualmente sua agenda de shows está fechada até novembro próximo, e ele jogou um novo álbum na praça. Ele é Buddy Guy e seu Skin Deep, é mais um atestado da qualidade e criatividade deste guitarrista americano que se rendeu ao blues ainda jovem.

Um cortante timbre de guitarra apoiado em um wah-wah dá o grito inicial para Skin Deep, álbum que não está longe dos melhores registros de Buddy nas décadas de 60 e 70, resultando na melhor posição de álbum do artista na parada da Billboard.

As notas de Buddy Guy deixam marcas profundas em cada canção do álbum e, como o featuring é a palavra da vez na produção musical atual, amigos ilustres comparecem para elevar ainda mais a massa sonora do Chicago Blues de Skin Deep: Eric Clapton, Derek Trucks, Susan Tedeschi, Robert Randolph, Quinn Sullivan e The Memphis Horns são os “parceiros” da empreitada.

Os destaques do álbum recaem justamente nas parcerias. Clapton sempre solícito, principalmente se tratando de um pedido de um de seus heróis, comparece, mais uma vez, com segurança em Every Time I Sing The Blues, enquanto seu atual sideman, o jovem guitarrista Derek Trucks, traz seu slide para deslizar na faixa que dá nome ao álbum, e, juntamente com Susan Tedeschi, refinam a crueza de Too Many Tears. Robert Randolph relembra o blues de raiz em Out in the Woods. Randolph faz solos arrebatadores em duas canções, relembrando o blues de raiz em Out in the Woods, e fazendo jus aos solos de Buddy na agitada That’s my Home.

Mas, devido à personalidade marcante, não há como não reconhecer o valor e o brilho de Buddy durante todo o álbum, e as melhores provas estão em Smell the Funk e Who’s Gonna Fill Those Shoes. Sua voz poderosa e seu ataque nas cordas são como um velho barril de madeira que armazena o melhor Whiskey, pronto para ser degustado com fervor.

Ouça as faixas:

Best Dawn Blues

Skin Deep, com a participação de Derek Trucks

Everytime I Sing The Blues, com participação de Eric Clapton