Um blog para loucos e para raros.

Rock ‘n’ Roll

Uma patada e tanto para esquentar os ouvidos

Pata de Elefante no Teatro Municipal de Bauru (foto: Giuliano Martins)Noite fria. Virada Cultural Paulista rolando em quatro cantos da cidade. Foi nessas circunstâncias que a Pata de Elefante pisou, pela primeira vez, num palco em Bauru.  Embora com todos os ingressos esgotados,  boa parte das cadeiras do Teatro Municipal ficaram vazias. Isso não foi impedimento para que os músicos Gabriel Guedes, Daniel Mossmann – que se revezam entre baixo e guitarra – e Gustavo Telles (bateria) fechassem a cara. Pelo contrário, o que se percebe nitidamente em um show da Pata de Elefante é, justamente, que o prazer em tocar vem antes de tudo – seja onde estiver, com ou sem público, faça calor ou frio, e estava um freezer à noite em questão – e eles sabem aproveitar isso, pois, o sorriso estampado nas faces do trio conforme executavam seu repertório era tamanho que, poderia não ter nenhuma pessoa ali, que não faria a mínima diferença – a banda curte o que faz. Curtição que começou em 2002 e já registra dois álbuns – Pata de Elefante (2004) e Um Olho No Fósforo, Outro Na Fagulha (2008) – compostos de muita selvageria sixties, típica de grandes bandas da época – como Cream, Jimi Hendrix Experience e Blue Cheer – aliados a uma preocupação melódica e grooves chapantes, tudo respaldado por levadas precisas e sonoridades rústicas, perfeitas para caracterizar o ataque sonoro do trio ao vivo, como o peso de um elefante. Apesar do show curto, quem estava lá pode conferir que música instrumental não precisa ser somente cerebral, e sim, uma viagem heterogênea, que cativou os presentes. E olha que, até mesmo no momento em que a bateria ameaçou sair em disparada de cima de seu elevado, não foi motivo para tirar a concentração-curtição do som elaborado pelos músicos. Pata de Elefante - Lisérgico em Bauru (Foto: Giuliano Martins)A química estilo power-trio, com uma cozinha potente, permeada pelo fraseado surf music da guitarra,  é influência cristalina nas veias da Pata.  Eles demonstram boas dinâmicas, feeling certeiro, cadências que fizeram escola e, até pelo simples aparato cênico, deixando a música falar mais alto, resultou no típico sabor lisérgico dos pubs, atraindo os ouvidos pelo diferencial. Atualmente, ver, ouvir e sentir um som feito com tanta honestidade é o melhor a se fazer numa noite fria.

Sinta o clima:

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Saindo uma quentinha: Warpaint Live

Um ano após o lançamento de Warpaint, que quebrou o hiato de sete anos sem material novo, a banda Black Crowes retorna com o conteúdo do álbum estendido e ao vivo.

O dia 28 de Abril marca, lá fora, o lançamento de Warpaint Live ao mercado da audição, seja ele físico ou virtual, embora sabemos que nas vias digitais, a possibilidade do lançamento está relacionada ao seu vazamento. No formato físico, com edição pela Eagle Records, são dois CD’s que incluem as interpretações viscerais e apaixonadas da atual turnê. Os registros foram retirados das apresentações sold out que a banda fez em Los Angeles. A primeira bolacha está todo o material de Warpaint devidamente retrabalhado para o palco, com as sempre viagens musicais que uma boa jam band sempre preza por realizar. Na outra parte do pacote figuram duas autorias que ajudaram os irmãos Robinson a serem reconhecidos como compositores do mais precioso rock and roll clássico promovido nos anos 90, aliado de vários covers feitos nos anos 60 e 70, como, por exemplo, Torn and Frayed, peça fácil nas apresentações do grupo desde o seu início, uma viagem folk da obra-prima dos Stones, Exile On Main St. (1972). Um registro em DVD com o conteúdo das apresentações da Euphoria or Bust Tour – que celebram o álbum Warpaint e o debuto em vídeo para os novos integrantes: o tecladista Adam MacDougall, e o guitarrista Luther Dickinson – está prometido para sair ainda este ano.

Warpaint Live pode não ser uma grande notícia de lançamento. Pois, não só por parte da atual desvinculação de música através do suporte físico. Mas, devido há dois fatores protagonizados pela banda: os próprios membros incentivaram os fãs a gravarem seus shows desde o início da carreira, causando um conglomerado de material ao vivo disponível pela internet; e, recentemente, a criação do Live Black Crowes, site específico para venda de downloads dos shows, há material disponível desde a turnê de 1996, que promoveu o álbum Three Snakes and One Charm, do mesmo ano. Mas, é óbvio, que Warpaint Live ganha pontos através de uma boa mixagem e masterização de estúdio, pois a maioria das gravações que pipocam pela internet não passaram pelo tratamento de uma boa mesa de som.

Quanto ao DVD, previsto para sair dia 30 de junho, este sim, pode surpreender. Não só por existir um registro visual da atual formação, mostrando seu excelente entrosamento, mas para atualizar a experiência do incrível vídeo Freak ‘n’ Roll… Into the Fog (2006) que, dentro de um ‘Olímpo do Rock’ credenciado como Fillmore, em São Francisco, a banda registrou a volta, mesmo que não por muito tempo, da criatividade e personalidade musical ímpar de Marc Ford, o guitarrista que projetou os solos mais doidos e setentistas que uma banda voltada para as raízes do rock clássico poderia almejar.

Abaixo, uma amostra da Euphoria or Bust Tour:

E a turnê anterior, All Join Hands, que gerou o DVD

Freak ‘n’ Roll …Into The Fog:

 

 

Leia a resenha do álbum Warpaint publicada aqui no Discoteclando.