Um blog para loucos e para raros.

rock clássico

Bola dentro, Bola Fora (ou Good Times, Bad Times)

O Led Zeppelin como era nunca mais será visto ao vivo. Em compensação, outras grandes bandas podem estar por aí, destilando o velho rock ‘n’ roll com a mesma carga de grandes lendas

 

 

O Discoteclando abre 2009 com um artigo-desabafo: infringindo a lei do fã, metendo o pau na maior banda de todos os tempos: Led Zeppelin, ou melhor, em parte de seus integrantes. Desde o show tributo a Ahmet Ertegun em dezembro de 2007 na arena londrina O2, que a banda reunida com o herdeiro Jason Bonham nas baquetas resulta em especulações, notas, comentários e um suspiro qualquer de um dos integrantes servem para ser notícia de jornal relatando sobre uma possível volta da banda. No momento a reportagem da BBC é que está gerando mais frenesi, devido ao fato da declaração partir do empresário de Jimmy Page, alegando que a banda esta em vias de sair em turnê, lançar um álbum de inéditas, e tudo isso sem Plant, que teve a decência de não concordar com a reunião, já que sua voz não alcança mais as notas necessárias que fizeram à fama do vocalista nos anos 70, estando mais para o clima etéreo da parceria com a cantora Allison Krauss. Além do óbvio: John Bonham está morto. Ou seja, o Led Zeppelin como era nunca mais será visto ao vivo. Nomes como o de Chris Cornell e Steven Tyler, que já são conhecido do grande público são lançados a esmo para desespero dos fãs mais incólumes.

A maneira encontrada através das especulações é de que Page, Jones e Jason estariam de olho em vocalistas e que isso não chamaria Led Zeppelin. Até aí tudo bem, não usando o sagrado nome e produzindo algo novo é digno. E, além do mais, eles já tem grana além do necessário, sendo uma reunião simplesmente para satisfação do ego. Vão se divertir e de quebra divertir uma galera que não pode ver o Zeppelin original em palco.

Em novembro de 2008, a banda completou 40 anos desde sua primeira reunião em um porão em Londres em que verificaram a química perfeita dos quatro. A partir disto, tudo virou história recontada inúmeras vezes de maneiras diversas, as certas e as erradas. A verdadeira pulga atrás da orelha para o Led Zeppelin fica para a não comemoração destes 40 anos. Em novembro, data oficial da formação da banda, nada rolou. Nem dezembro, data do lançamento do primeiro álbum na Inglaterra. Este mês marcaria o lançamento de Led Zeppelin I no resto do globo. Então, onde estão as tradicionais comemorações que geralmente embalam estas datas com produtos de consumo para os fãs mais fanáticos e para os novos iniciados que ainda não contemplam a plenitude de suas gravações?!!? O show da O2 foi gravado, mas até agora nenhuma linha sequer foi dada sobre seu lançamento.

Para que essa comemoração não passe em branco por aqui no Discoteclando, segue a baixo um vídeo da nossa aposta real de uma banda já tem conteúdo para dar – e dará – o que falar em 2009, tocando a música que abriu o show de reunião do Led Zeppelin.

Nos moldes do Raconteurs, a Relentless 7 – formada por Ben Harper (guitarra, slide e vocais), Jason Mozersky (guitarra), Jesse Ingalls (baixo e teclas) e Jordan Richardson (bateria) – promete ser um dos melhores lançamentos do ano, se eles lançarem algo, claro. No site oficial, além de ‘Good Times Bad Times’ do Led, há ‘Purple Rain’ do Prince, numa versão que humilha a original, e a música que gerou essa reunião, ‘Serve Your Soul’, uma excêntrica pancada no formato zeppeliniano que apareceu primeiramente no álbum Both Sides Of The Gun, do Ben Harper já com a formação do Relentless 7. Já no YouTube dá para conferir a pegada da banda ao vivo. Tem até Under Pressure, para quem não está com tesão de ver o Queen + Paul Rodgers tocando-a, mas quer apreciar um velho material revigorado em novas mãos. Obviamente influenciados pelo Zeppelin, os petardos originais deles não ficam atrás de grandes composições dos dinossauros do rock. Isto sim é digno de se ganhar as manchetes de jornais.


Mais do mesmo (e isso é tão bom)!!!

AC-DC retorna do estúdio com álbum cheio de vitalidade e garante os primeiros lugares de vendas em vários países, mesmo com músicas vazadas na internet

Se tratando de AC/DC, não há como negar. O álbum Black Ice é o que se esperaria depois de um hiato de oito anos sem lançar nada de estúdio. As novas músicas são feitas da mesma estrutura de composição que tornaram a banda um mártir do rock clássico: guitarras afiadas, baixo e bateria com a precisão de uma máquina, fortes e rudes timbres setentistas, solos potentes, letras do mundo do rock, voz gritada e refrões para cantar em coro. Único fator de ineditismo fica com ‘Stormy May Day‘, em que a utilização de slides se sobressai para fazer a melhor canção do álbum, enquanto outras composições remetem à potência de Powerage, de 1978, e For Those About To Rock, de 1981. Ou seja, a corrente continua a toda carga. E mesmo que a banda esteja reproduzindo os mesmos volts, tudo é muito bem arquitetado para garantir a satisfação, tanto para quem toca, quanto de quem ouve. Os fiéis fãs agradecerão.

Texto também publicado no site Engenho