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Pimentas Recheadas

O Red Hot é uma das poucas bandas que conseguem lançar um trabalho que traga mais de dois sucessos. Preferem abusar da criatividade, antes de se esgotar na exploração de um único single

O que dizer de um álbum que foi produzido por Rick Rubin? O produtor de maior impacto dos anos 90. O que dizer de um álbum que teve como engenheiro de som Brendan O’Brian? O responsável pelos principais álbuns de rock da mesma década – vide ficha técnica de vários álbuns do Pearl Jam. O que dizer de um álbum que foi dedicado para Mike Watt? O baixista mais descerebrado do grunge e que nesta década se reuniu aos veteranos Stooges, banda que cutucou o útero de gestação do punk.

Há algo mais a dizer quando se trata de um disco dos Red Hot Chili Peppers? Que tal que este disco levou a banda para o topo das paradas. Blood Sugar Sex Magic elevou a enésima potência a química iniciada em Mother’s Milk, disco de 1989, com a entrada de Chad Smith na bateria e John Frusciante na guitarra – este último um dos melhores de seu instrumento que apareceram nos anos 90. Neste álbum os músicos exploram toda sua técnica como instrumentistas sem perder o feeling, enquanto mostram o Phd retirado anos antes com o pai do funk-rock George Clinton. Que Blood Sugar Sex Magic contém uma cover do mítico bluesman Robert Johnson, mas que o resto das canções foram criadas quando a banda se trancou em uma mansão, só saindo de lá quando tinha em mãos faixas estupidamente cheias de sangue, ‘açúcar’ (para os desavisados leia-se drogas), sexo e magia.

O Red Hot é uma das poucas bandas que conseguem lançar um trabalho que traga mais de dois sucessos. Eles Preferem abusar da criatividade, antes de se esgotar na exploração de um único single. Para provar isso, o set-hit-list do álbum é grande, e muitas destas canções são parte do inconsciente coletivo pós-MTV: Suck My Kiss, Give It Away, Under the Bridge, Power of Equality, Breaking the Girl e BloodSugarSexMagic, faixa que dá título ao apimentado trabalho, lançado em 1991. Some a isso mais dez canções que esquentam o molho sonoro de qualquer aparelho, sem deixar nada aos ingredientes já mencionados.

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PS.: o álbum ainda contém, em sua versão norte-americana, o típico adesivo de advertência de conteúdo explícito, muito comum nos anos 90, que acabou tendo sua função reutilizada, tornando uma marca de provocação para a juventude que consumia qualquer material que tivesse o selo estampado bem na capa, resultando em vendas astronômicas para a indústria fonográfica, cuja qual utilizou o signo em lugares que nem necessitava de aviso de conteúdo – mas que careciam de um aviso sobre má qualidade musical – e que no final, chafurdou  na lama, desgastado pelo excesso, ironia? Não, consumismo exacerbado.

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Saindo uma quentinha: Warpaint Live

Um ano após o lançamento de Warpaint, que quebrou o hiato de sete anos sem material novo, a banda Black Crowes retorna com o conteúdo do álbum estendido e ao vivo.

O dia 28 de Abril marca, lá fora, o lançamento de Warpaint Live ao mercado da audição, seja ele físico ou virtual, embora sabemos que nas vias digitais, a possibilidade do lançamento está relacionada ao seu vazamento. No formato físico, com edição pela Eagle Records, são dois CD’s que incluem as interpretações viscerais e apaixonadas da atual turnê. Os registros foram retirados das apresentações sold out que a banda fez em Los Angeles. A primeira bolacha está todo o material de Warpaint devidamente retrabalhado para o palco, com as sempre viagens musicais que uma boa jam band sempre preza por realizar. Na outra parte do pacote figuram duas autorias que ajudaram os irmãos Robinson a serem reconhecidos como compositores do mais precioso rock and roll clássico promovido nos anos 90, aliado de vários covers feitos nos anos 60 e 70, como, por exemplo, Torn and Frayed, peça fácil nas apresentações do grupo desde o seu início, uma viagem folk da obra-prima dos Stones, Exile On Main St. (1972). Um registro em DVD com o conteúdo das apresentações da Euphoria or Bust Tour – que celebram o álbum Warpaint e o debuto em vídeo para os novos integrantes: o tecladista Adam MacDougall, e o guitarrista Luther Dickinson – está prometido para sair ainda este ano.

Warpaint Live pode não ser uma grande notícia de lançamento. Pois, não só por parte da atual desvinculação de música através do suporte físico. Mas, devido há dois fatores protagonizados pela banda: os próprios membros incentivaram os fãs a gravarem seus shows desde o início da carreira, causando um conglomerado de material ao vivo disponível pela internet; e, recentemente, a criação do Live Black Crowes, site específico para venda de downloads dos shows, há material disponível desde a turnê de 1996, que promoveu o álbum Three Snakes and One Charm, do mesmo ano. Mas, é óbvio, que Warpaint Live ganha pontos através de uma boa mixagem e masterização de estúdio, pois a maioria das gravações que pipocam pela internet não passaram pelo tratamento de uma boa mesa de som.

Quanto ao DVD, previsto para sair dia 30 de junho, este sim, pode surpreender. Não só por existir um registro visual da atual formação, mostrando seu excelente entrosamento, mas para atualizar a experiência do incrível vídeo Freak ‘n’ Roll… Into the Fog (2006) que, dentro de um ‘Olímpo do Rock’ credenciado como Fillmore, em São Francisco, a banda registrou a volta, mesmo que não por muito tempo, da criatividade e personalidade musical ímpar de Marc Ford, o guitarrista que projetou os solos mais doidos e setentistas que uma banda voltada para as raízes do rock clássico poderia almejar.

Abaixo, uma amostra da Euphoria or Bust Tour:

E a turnê anterior, All Join Hands, que gerou o DVD

Freak ‘n’ Roll …Into The Fog:

 

 

Leia a resenha do álbum Warpaint publicada aqui no Discoteclando.