Um blog para loucos e para raros.

Muito além do Heavy Metal

Uma banda mineira que resolveu desestabilizar as concretas estruturas do heavy metal, levando sua pegada para cantos antropológicos distintos do Brasil, criando um dos melhores álbuns do gênero de todos os tempos, e que, passado doze anos ainda soa interessante, fato nada comum para o estilo.

Roots é o divisor de águas para a banda Sepultura, é também um dos melhores manifestos do experimentalismo numa das vertentes mais barulhentas do heavy metal. Além do mais, Roots é o atestado de que todo o trabalho que a banda vinha realizando desde Arise serviria para, além de registrar o nome da banda brasileira nos mais altos pilares do chamado trash metal, estando ao lado da santidade-demoníaca Slayer, e mostrando ao mundo que o Brasil não vive apenas de carnaval e bossa nova.

Divisor de Águas – foi após a construção de Roots, que o vocalista Max Cavalera arrumou as malas para levar o experimentalismo, iniciado no registro anterior, Chaos A.D. (1993), ao mais alto nível de agressividade com sua nova banda, o Soulfly. Os remanescentes quiseram mostrar para o mundo, e talvez para a própria banda, que a Sepultura resistiria bem no mercado mundial sem a figura gutural de seu ex-líder. Isso acabou resultando em vários álbuns em que as idéias soavam boas, mas o resultado final acabaria decepcionando, e culminando com a saída do outro Cavalera, retirando da Sepultura toda a mítica mineira da formação original, e, reconciliando os irmãos no projeto Cavalera Conspiracy.

Antropologia à parte. Roots é o Manifesto do experimentalismo no Heavy Metal – a utilização de instrumentos inusitados, com batidas afro-brasileiras, ruídos e silêncios, mistura de letras em inglês e português, Carlinhos Brown e convivência temporal com a tribo de índios Xavantes ajudaram a criar o ambiente necessário para que as raízes brasileiras da banda fossem os ingredientes exóticos que mudou os rumos do trash metal, além de deixar o resto do mundo mais atento para bandas brasileiras, influenciadas, ou não, pelo Sepultura.

Atestado de originalidade – o trabalho evolutivo da banda que culminou neste registro de 1996, deixando para a posteridade o nome dos mineiros no cenário do heavy metal dos anos 90, e garantindo, no lado positivo e negativo, a incursão de várias bandas, inclusive a própria, em andanças sonoras que levaram o gênero para novos rumos, alguns valiosos, alguns duvidosos, outros decepcionantes. O fato é que Roots é o registro de que se pode ter heavy metal de qualidade sem cair no lugar comum da maioria das bandas do gênero e suas vertentes.

 

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3 Respostas

  1. Esse disco é uma pancada. Faz tempo que não ouço e confesso que o som do Sepultura não é minha praia. Peguei emprestado de um amigo um ano depois do lançamento do disco e lembro de ter pensado que os caras estavam num caminho que ninguém tinha percorrido.

    Não é à toa que a banda tem nome lá fora até hoje. Tudo graças ao salto que deram com esse disco. Pena que depois tenham saltado direto pro fundo do poço…

    12 fevereiro 2009 às 8:43

  2. re

    vc is my idol!!!!! eu penso assim, comodamente, talvez, em time que tá ganahndo não se mexe. vai que eu mudo e, acostumada que sou com as cagadas do blogger, tenha que enfrentar uma cagada desconhecida de outro!!!!!!! acontecia como com vc …. meu blogg falecia. cruz credo!!!!!!

    25 fevereiro 2009 às 8:49

  3. Fabrício

    Roots – raiz, depois dele o primeiro trabalho do Soulfly, tinha elementos eletrônicos, na minha opinião ficou bem sujo e o som e era razoável.
    Gosto mais do Roots do que dos anteriores.
    A impressão que dava é que eles estavam mesmo trilhando um caminho diferente de tudo que este tipo de som produz.
    Sepultura pra mim é a formação que durou até este trabalho. Depois disso, virou história.
    Abç.

    8 abril 2009 às 10:26

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