Um blog para loucos e para raros.

UMA IDÉIA SINGELA SE PERPETUA NO FUTURO

Delaney & Bonnie and Friends – Motel Shot – 1971

Delaney e Bonnie Bramlett formavam um casal que produzia um rock cheio de soul. Depois de alguns discos que não tiveram reconhecimento mundial, mas que são compostos de uma qualidade musical peculiar e criativa, além de serem artistas com grande influência entre os músicos. Depois de alguns álbuns, e várias turnês sold out – incluindo uma com Eric Clapton na guitarra – resolveram convidar alguns amigos para participar de uma gravação em que os instrumentos acústicos seriam predominantes nas músicas. Escolhendo algumas canções tradicionais e outras tantas inéditas, eles fizeram uma pequena festa com esse círculo de amizades misturando gospel, country, blues, folk, and o antigo R&B e lançaram isso em 1971. Alguma lembrança aos acústicos que apareceram no início dos anos 90 e viraram marca e febre comercial na indústria fonográfica?

Muito antes da explosão dos acústicos, via MTV ou outras, o álbum Motel Shot de Delaney & Bonnie and Friends, é um marco para a criação de acústicos, onde a experimentação musical ganha novas cores, gente famosa comparece, não para ser mais um atrativo de vendagem, mas para contribuir com amizade verdadeira e se divertir fazendo música, garantindo entusiasmadas jam’s em que o sentimento metafísico se faz presente.

Os amigos em Motel Shot são figuras clássicas do rock sixties, e colocaram suas especialidades em favor da música produzida neste álbum. Leon Russel trouxe sua infame personalidade musical na guitarra e piano, mas também trouxe a força e a rouquidão da voz de Joe Cocker, que se destaca em Talkin’ About Jesus. Enquanto Gram Parsons e Clarence White contribuíram com a energia country dos Flying Burrito Brothers e Byrds. O saxofone de Bob Keys que é marca de sopros nos Stones, já fazia a festa pelas turnês dos Bramletts. Jim Keltner é responsável pelas batidas orgânicas e detalhistas, enquanto Dave Manson explorou os arranjos de Delaney junto do slide sulista de Duane Allman. O piano de Bobby Whitlock, e o baixo pulsante de Carl Radle sempre foram créditos desde o primeiro álbum do casal Delaney & Bonnie.

O clima de festa e louvação musical é do início ao fim. Lonesome And A Long Way From Home fecha esse ‘acústico’ numa versão mais intimista que a executada pela banda de Bramlett, além de ser arranjada e produzida pelo próprio, para o primeiro solo do amigo Clapton. Will The Circle Be Unbroken celebra a amizade musical desta reunião, com uma excelente interpretação vocal de Bonnie. A versão de Come On In My Kitchen, do lendário bluseiro Robert Johnson, ganha o piano e percussão como condutores, enquanto na seqüência, Don’t Deceive Me trabalha a vocalização da canção como uma reverência as raízes do blues.

Motel Shot é uma amostra de que singelas idéias, mas originais, podem ser mais significantes do que se esperaria. Pois, quem diria que, este mesmo esquema de gravação ganharia as paradas de sucesso, mais de vinte anos depois?!?!

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3 Respostas

  1. Parabéns pela nova casa. Nota-se que ainda está em reformas, e parece até pouco educado que se receba visitas tão logo tenha se instalado. Mas, estamos aqui para ler e a casa está aberta para nos receber, sendo assim, antes de falar do trabalho dos Delaney & Bonnie cabe aqui comentários sobre a nova residência.
    Ao entrar percebo ela subliminarmente mais crítica, a imagem de entrada que nos recebe de sorriso no rosto é marca de um humor sarcastico digno do jornalista que nos presenteia com rsenhas sobre música! Está tambêm mais limpa aos olhos que, muitas vezes com sede de informação, devora os textos aqui contidos. O que de fato é muito mais agradável. Extremamente confortável dentro da nova casa, vamos ao comentário sobre o disco.
    Delaney & Bonnie and Friends parece-me atraente nem tanto pelo caráter acústico ou de reunião de amigos se divertindo do qual a resenha diz, mas muito mais pelas figuras que apareceram para a reunião.
    A minha pessoa, um mero “alguêm” que adora música e que desconhece boa parte deste periodo do fim dos 60´s e inicio dos 70´s, fica a curiosidade. Cabe a mim agora correr atrás do dito cujo e saborea-lo para ver que gosto tem!
    Abraço primo e boa sorte na nova casa.

    25 julho 2008 às 12:31

  2. poor elijah … todas as vozes e todas as guitarras passeiam à vontade nela. beijo.

    28 agosto 2008 às 6:31

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