Um blog para loucos e para raros.

NA DISCOTECA DO CREDENCIAL TOSCA

O DISCOTECLANDO criou uma maneira virtual de se passear pelas dicotecas dos amigos para conferir o que é que está rolando no som deles. A estréia ficou a cargo da nossa amiga jornalista-baterista-blogueira Ana Alice Gallo que mantém as good vibrations do mundo cultural no http://credencialtosca.blogspot.com. Enquanto isso, nosso editor aproveita para estrear a coluna Discoteclando no http://www.revistasonora.com. Sem mais milongas… com vocês…

CLAUSTROFOBIA SONORA

(Ou nove razões para vivenciar In Utero, do Nirvana)

NIRVANA – In Utero (1993)

Ok, galera, quando o Giul me convidou para ocupar esse ilustre espaço por um post, pensei em resenhar algo bem ao gosto do anfitrião, mas duvidei que pudesse fazê-lo melhor que o dono da casa. Pensei também que a idéia de trazer outras pessoas para o Discoteclando pudesse também fazer soprar outros ventos por esses cantos, daí escolher um álbum tão alhures – mas, na minha humilde opinião, bastante importante – quanto esse. De qualquer forma, espero que vocês gostem da viagem… ou, pelo menos, sobrevivam à ela!

1 – Sentir como um único acorde – no caso, o primeiro do álbum – é capaz de expressar a dor acumulada em anos de problemas no estômago e outras adjacências de um ser humano e dar, de alguma forma, a idéia do que se segue.

2 – Ouvir em forma de canção o livro “O perfume”, de Patrick Süskind, atualmente também em cartaz nos cinemas. A música “Scentles Apprentice” foi baseada nessa obra, que narra a história de um assassino que escalpela donzelas para fazer perfumes.

3 – Relembrar a maior declaração de amor da história dos anos 90, “Heart Shaped Box”, tão romântica quanto à moça que a inspirou, miss Courtney Love.

4 – Sentir Freud revirar-se em sua tumba de felicidade com a necessidade de um marmanjo de voltar a ser um bebê. Em seu livro “Beijar o Céu”, o jornalista Simon Reynolds analisa cada detalhe deste álbum que nos remete ao psiquiatra mais pop do século passado. Mas se você ouvir “Rape Me”, já basta.

5 – Desfrutar de recursos de gravação que levam o ouvinte a uma sala hermeticamente fechada, oca como o próprio útero, de onde Kurt Cobain, Dave Ghrol e Kris Novoselic parecem tocar. A banda conseguiu tirar o máximo de sua estadia em um estúdio para passar a sensação real de que você está do lado de fora, enquanto eles estão lá dentro.

6 – Essa mesma gravação consegue finalmente captar a energia da banda ao vivo – quando eles conseguiam, de fato, tocar alguma coisa – com distorções abusadas e um caminho sonoro que hipnotiza o ouvinte, exatamente como Kurt costumava fazer com seus espectadores.

7 – Presenciar os primórdios do que literalmente evoluiria para “Do the Evolution”, do Pearl Jam. Ouça “Very Ape”e tente não ver semelhanças.

8 – “Nevermind” já havia entrado para a história, mas tanto “Bleach”, que veio antes, como “Incesticide”, que veio depois, captaram apenas os fãs mais fervorosos. A maturidade do trabalho em estúdio de “In Utero” alçou o Nirvana ao posto de grupo a ser digerido em décadas posteriores. Se você conseguir ouvi-lo na íntegra sem enlouquecer de alguma forma ou perturbar o dedo mindinho da sua alma, saiba que é um homem de gelo. Na verdade, se você sobreviver à “Francis Farmer Will Have Her Revenge on Seattle”, já pode se considerar um iniciado.

9 – E por último, “All Apologies”, pra mim, condensa toda a melancolia contida na existência de um ser humano que conseguiu conquistar o mundo despejando seus fantasmas mais horripilantes em acordes (como os que usa nesse álbum). E, também por isso, pede desculpas.

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2 Respostas

  1. Giul Martins

    A Ana conseguiu com este texto fazer me ir atrás do in utero para reouvi-lo, vamos ver dessa vez… a única coisa que eu lembro deste album é que tem uma “homenagem” ao aerosmith e ao led zeppelin em aerozeppelin… logo deixarei minhas percepções… e, obviamente, obrigado a AnaA por aceitar o convite e mandar bem no texto e por escolher algo que fuja dos padrões do editor do discoteclando…

    9 fevereiro 2007 às 23:58

  2. Fabrício

    Não tenho nada a dizer, ela já disse.

    19 fevereiro 2007 às 23:22

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