Um blog para loucos e para raros.

O MELHOR GUITARRISTA DESCONHECIDO DO GRANDE PÚBLICO (ou RORY GALLAGHER)

RORY GALLAGHER
Calling Card
(1976)

Dentre os meus guitarristas preferidos e que alcançaram destaque mundial pelas suas particularidades – Jimi Hendrix pelo controle completo do instrumento; Jimmy Page pela utilização de timbres, camadas sonoras, arranjos e afinações; Eric Clapton pelo seu poder de traduzir o blues em diversos gêneros, além de ser um autêntico mestre bluseiro branco –, é o guitarrista irlandês Rory Gallagher, desconhecido do grande público, que corresponde ao amalgama que geraria se os três primeiros fossem liquefeitos.

A inventividade de Rory Gallagher ultrapassa os limites em Calling Card, lançado em 1976, é o seu oitavo lançamento solo e, o quinto com a formação que incluí Lou Martin ao piano, Rod de’Ath na bateria e Gerry McAvoy no baixo. Este álbum foi o canto do cisne para essa formação que mais se entrosou com Gallagher, potencializando o som do guitarrista.

Algumas mudanças no processo de composição de ‘Calling Card’ diversificaram o rock bluseiro dos primeiros álbuns. ‘Moonchild’ poderia figurar perfeitamente no repertório do Deep Purple. Não por acaso, o baixista da banda, Roger Glover, é o responsável pela produção do álbum. Sua participação se deve ao fato de que Gallagher, produtor de seus álbuns anteriores, buscava novos caminhos para expandir suas idéias baseadas na tradição folk-bluseira.

Essa busca fica evidente na faixa título, ‘Calling Card’, que abusa de uma levada jazz para deixar a guitarra conversar com o piano. Já ‘Contry Mile’ carrega uma potencial surpresa. Embora haja no álbum canções com ascendência jazzística, é no ritmo boogie da canção citada que percebo como ela se encaixaria na voz de Billie Holiday, pois consigo recriar na minha mente a voz da diva do jazz em um arranjo da época em que Holiday estava na Verve. O mais engraçado é que a rouquidão de Rory Gallagher que fez essa sensação tomar forma. Além da surrealista impressão, a música se destaca também pelo excelente timbre único no solo do slide de Gallagher.

Apesar dessas inovações, ele também sobe aproveitar de suas influências tradicionais para criar composições como o single ‘Edge In Blue’, que chegou ao topo da parada americana com seu início suave, e até um pouco piegas, que se transforma numa bela levada country. Os dedilhados de ‘I’ll Admit You Gone’ e ‘Barley and Grape Rag’ retratam a maestria do guitarrista na utilização da técnica sem perder a sensibilidade.

O lado roqueiro do guitarrista não fica para trás neste álbum. Da abertura com ‘Do You Read Me’ que já provoca arrepios na introdução guitarra e bateria. Enquanto ‘Secret Agent’, a faixa mais interessante do disco, revela um intrincado riff que serve como documento de que a guitarra ditou a revolução na música do século passado. Rory cria uma ótima melodia no solo da funkeada ‘Jack-knife Beat’, lembrando muito a mão-lenta de Eric Clapton.

Calling Card ainda traz em sua versão digital mais duas bônus: os power-rocks ‘Rue the Day’ e ‘Public Enemy’ – esta apareceria no álbum Top Priority (1979), mas que fora gravada primeiramente em San Francisco com a formação deste álbum – não ficam aquém da seleção do original. Esse é para deixar no repete e degustá-lo por horas.

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2 Respostas

  1. Fabrício

    Quando ouvi não gostei. Como por muitas vezes quero flertar com a sonoridade blues e meus ouvidos não conseguem. Talvez este Gallaguer, seja algo para se ouvir depois que o som do senhor Clapton ganhar algum espaço na minha discoteca, caso isso não ocorra, ainda manterei minha opinião, ou seja, não apreciarei.

    8 novembro 2006 às 12:25

  2. Ricardo Schott

    Bem legal a lembrança do Rory. Coincidentemente, ia sentar hj pra escrever um texto sobre o Wolfmother, que vc citou no post anterior.
    Abç

    13 novembro 2006 às 10:12

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