Um blog para loucos e para raros.

PÉROLAS ENTRE PORCOS

WOLFMOTHER – Wolfmother (2005)

Não se pode negar. Por mais que seja evidente que há influência do rock clássico feito no fim de 60 e início de 70, no primeiro disco homônimo do power-trio Wolfmohter, a sensação déjà vu é inevitável, e não que seja algo ruim ou confuso, como é costume acontecer com este tipo de empreitada, mas é admirável. O prazer é nítido ao ouvir músicas extremamente timbradas e estruturadas aos moldes da vanguarda roqueira daquela época, e diferenciar de onde cada riff de guitarra, cada levada de bateria, ou mesmo o ataque do baixo tem origem. O Wolfmother conseguiu lançar em 2005 o álbum que a reunião do Black Sabbath original não foi capaz de reproduzir na segunda metade da década de 90. O hit Woman já pode ser eleita a Paranoid dos anos 2000.

E já que negar essas influências é algo impossível, dar nomes aos bois é mais do que óbvio e até necessário. Dimension abre a biscoito do trio australiano com riffs sabbathicos cortantes, mas a levada é puramente Grand Funk Railroad. Power-trios como o próprio ‘GFR’, o Cream e o Blue Cheer ficam evidentes em Pyramid e em Tales From The Forest Of Gnomes. A influência do pré-punk do baixo de Chris Ross se mistura com a linha melódica de guitarra e teclado em Apple Tree, além de ter um solo esquizofrênico. Enquanto White Unicorn alterna momentos pacíficos com explosões de lembrar Sabbath Bloody Sabbath, deixando o final apoteótico bem ao estilo do Led Zeppelin. E é a banda inglesa que também é lembrada nos dedilhados e do órgão de Where Eagles Have Been, além de Vagabond que fecha as edições não australianas do álbum. O timbre do vocal gritado do novato Andrew Stockdale assemelham-se ao nem-tão-novato Jack White. Outras bandas mais novas, mas também ligadas ao som setentista, dão as caras numa influência-originalmente-plágiada-dos-originais. As levadas de Kyuss e Soundgarden são recordadas pelo baterista Myles Heskett em Colossal e Mind’s Eye respectivamente.

O Wolfmother soube utilizar sutilmente os clichês progressistas sem soar chato ou enfadonho. E o melhor exemplo disto está em Joker and The Thief se apropria de introdução progressiva com o velho órgão Hammond fazendo cama para um riff de guitarra espacial. Withcraft lembra o Rush – quando ainda não era chato – aliado as flautas piscodélicas do Jethro Tull.

Love Train é possivelmente a melhor faixa do disco por diferenciar-se das demais, com percussão a la Sympathy for the Devil e um groove dançante.

Não há problema algum em ser nitidamente parecido com suas influências, desde que o som seja tão bom quanto o original. E neste caminho o Wolfmother passa com louvor, sem cair no saudosismo macambúzio. Agora é só esperar pelo próximo pacote de biscoitos do trio que já está no forno.

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3 Respostas

  1. Fabrìcio

    Tenho que ser sincero que ainda não ouvi a banda com atenção. (O amigo que gravou pra mim colocou varias versões das mesmas músicas e isso fez com que eu não tivesse saco ainda pra ouvir rsrs…)
    Acredito que pelo muito que já se falou da banda, vale como algo novo nesse mar de sono que tem sido o mercado fonográfico.
    Vale tambem por fazer jovens ouvirem coisas que remetem a um passado mais “contracultural” se é que existem tais jovens, mas a vendida MTV Brasil de certa forma deu sua colaboração, já é algo.
    Para nós, nesse mundo de música altamente descartável, onde bandas de 15 anos atrás são consideradas “velharias” é bom ver o rock se reciclar.

    22 outubro 2006 às 0:41

  2. Ana Alice

    Vida longa ao Black Zeppelin!!!!!!!!!!!!! Ou Led Sabbath, whatever.

    22 outubro 2006 às 18:58

  3. Mundo Conotado

    Oi Giul! Adorei o texto!
    Agora é meu novo guia de leitura de crítica musical. Sempre que der um tempinho passarei por aqui.
    Abraço!

    1 novembro 2006 às 10:53

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