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Socorro Serge Gainsbourg!!!

A cara de Lolita pecadora e as imagens nostálgicas dos clipes de Lana Del Rey não salvam Born To Die do fracasso perante uma audição completa. Aliás, o título do álbum é o mais certeiro possível, o registro é natimorto. Não há nada além de Video Games e Blue Jeans, descartáveis canções pop, únicas audíveis do álbum, para durar no consciente auditivo do público. Elas se sairiam bem em época de singles/compactos. As vendas tidas como altas em dias downloads digitais, legais e ilegais, demonstram que a edição é a alma do negócio: mostre apenas aquilo que desperta o interesse. Afinal há quanto tempo se vê e ouve falar sobre a cantora e há poucos dias seu registro chegou integralmente aos ouvidos. Só Serge Gainsbourg poderia salvá-la do desastre musical que é Born To Die. E não digo isso musicalmente. Ainda bem que eu não paguei pela minha cópia digital que já tratei de deletar.

Blue Jeans

Video Games

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Um garoto chamado Buddy

Num momento em que dois ícones da guitarra registram suas carreiras de modo diversificado, Keith Richards conta suas memórias em livro e Jimmy Page traça sua biografia em fotos, uma grande influência para esses senhores ingleses registra em 12 canções um eficiente panorama de sua vida musical.

Capa de Living Proof: inspiração em rótulos de Bourbon não poderia ser mais adequada.

Logo de início ele demonstra que idade não lhe deixa menos intenso. Tido como um dos últimos grandes mestres do blues ainda vivo, Buddy sopra as velas de ’74 Years Young’ com fôlego de um jovem Guy em plenos 21 anos. A maior parte das canções refletem esse espírito, trazendo à tona as rajadas de notas de timbre peculiar que tanto fizeram a cabeça dos guitarristas da invasão britânica nos anos sixties. Outras transmitem a sabedoria do tempo de produção musical, que teve início nos 50, como se abrisse um bourbon em sua época mais saborosa, transbordando pureza de seu aroma e paladar.

A vida em parceria também foi revista com a presença de B.B. King, em uma conversa que evidencia as características de ambos os músicos, mas claro, promovendo um clima calmo para a canção, fator característico das interpretações do convidado ilustre nos últimos tempos. Já em ‘Where The Blues Begins’ fica evidente que quem acompanha Buddy nesta amostra sublime do blues ligado às raízes latinas é Carlos Santana.

Sem dúvida, o guitarrista da Lousiana soube extrair de si o que há de melhor em sua extensa carreira, ao utilizá-la como inspiração para criar Living Proof, que é o melhor álbum de blues do ano e, provavelmente, uma das produções mais importantes do gênero desde os anos 80.

 

Confira o vídeo da parceria entre Buddy Guy e B.B. King na canção ‘Stay Around the Little Longer’: