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Mais do mesmo (e isso é tão bom)!!!

AC-DC retorna do estúdio com álbum cheio de vitalidade e garante os primeiros lugares de vendas em vários países, mesmo com músicas vazadas na internet

Se tratando de AC/DC, não há como negar. O álbum Black Ice é o que se esperaria depois de um hiato de oito anos sem lançar nada de estúdio. As novas músicas são feitas da mesma estrutura de composição que tornaram a banda um mártir do rock clássico: guitarras afiadas, baixo e bateria com a precisão de uma máquina, fortes e rudes timbres setentistas, solos potentes, letras do mundo do rock, voz gritada e refrões para cantar em coro. Único fator de ineditismo fica com ‘Stormy May Day‘, em que a utilização de slides se sobressai para fazer a melhor canção do álbum, enquanto outras composições remetem à potência de Powerage, de 1978, e For Those About To Rock, de 1981. Ou seja, a corrente continua a toda carga. E mesmo que a banda esteja reproduzindo os mesmos volts, tudo é muito bem arquitetado para garantir a satisfação, tanto para quem toca, quanto de quem ouve. Os fiéis fãs agradecerão.

Texto também publicado no site Engenho


A NOVA PINTURA DOS CORVOS

Black Crowes – Warpaint – 2008

Após sete anos sem lançar material inédito, a Black Crowes pinta a cara e faz a (r)evolução musical do seu rock retrô. Assim como os Rolling Stones fizeram em 1970, ao criar o seu próprio selo para lançar a melhor safra de sua duradoura carreira, ou o Led Zeppelin, que também fez o mesmo, criando o selo Swan Song e colocando o álbum duplo Physical Graffiti na praça em 1975, os Crowes criaram o selo Silver Arrow, depois de 18 anos de estrada e apenas 6 álbuns de estúdio. Warpaint é um complexo de dez inéditas e mais uma interpretação pesada do blues God’s Got It, clássico do Reverendo Charlie Jackson, que remete ao mesmo poder de Back of My Hand, o blues raiz que os Stones compuseram para seu último álbum, A Bigger Bang, de 2005.

Warpaint traz também novos corvos para a batalha: além da produção de Paul Stacey, que havia substituído o guitarrista Marc Ford na turnê All Join Hands, mas que não se alistou no front de batalha para a nova turnê, temos o guitarrista Luther Dickinson, oriundo do North Mississippi Allstars, mais o tecladista Adam MacDougall.

Cheio de blues, folk e psicodelia, o álbum gravado em três semanas em Nova Iorque, tem personalidade forte, consistente e se distingue bem dos trabalhos anteriores, embora algumas canções possam se aproximar das viagens e do clima de 3 Snakes and 1 Charm, lançado 1996. São perceptíveis também as características que fizeram da banda uma referência concreta para o rock and roll feito nos anos 60 e 70, além da originalidade e, ao mesmo tempo, reverência que possam colocá-los ao lado dos grandes artistas do rock clássico. O álbum foi gravado ao vivo em julho do ano passado, com o mínimo de takes possíveis, não traz nenhuma canção que fora composta anteriormente, e evidencia a progressão musical natural da discografia da banda de Atlanta, principalmente, para quem a acompanha desde seu início, isso fica mais perceptível. O álbum não é necessariamente conceitual, mas as letras remetem aos valores da revolução contracultural que foi deixada para trás por aqueles que a protagonizaram, e seus filhos que não a seguiram.

Goodbye Daughters of Revolution é a flechada inicial, lançada em single no final de Janeiro e abrindo perfeitamente Warpaint. Embora eles estejam dando adeus os filhos da revolução, dão boas vindas aos órfãos da geração hippie com um som tipicamente Black Crowes, ou seja, tipicamente rock and roll clássico, e mantendo a chama viva.

Walk Believer Walk é outra com um peso preciso, calcada no blues, e como definiu Chris Robinson “cheia de veneno para incrédulos”.

Oh Josephine é soul, gospel, country e psicodelia misturados, batidos e temperados de maneira original para uma balada que Chris considera a melhor canção que ele Rich compuseram.

Evergreen tem o mesmo sabor das músicas do álbum solo de Rich Robison, Paper (2004), um solo excêntrico e arrepiante de Luther Dickinson, e foi gravada em só take.

Wee Who See The Deep, é pesada, funk e louca!!! A guitarra slide duela com os maneirismos vocais de Robinson. Jimmy Page e Robert Plant fizeram escola.

Locust Street traz os raios solares da Califórnia para o álbum, balada de beleza singela, com violões e mandolin contrapondo ao clima pesado da letra, em que Chris Robinson tem uma visão Bob Dylan de seu país.

Movin’ Down The Line foi a primeira a ser gravada nas sessões do álbum. Traz várias mudanças rítmicas e climáticas, ‘mas está tudo certo, irmãs e irmãos’. Chris está arrebentando na gaita e um primor nos vocais.

Wounded Bird é uma das melhores faixas do álbum, rock direto, refrão viajante, contagiante e básico. Apenas libere sua mente e viaje.

There’s Gold In Them Hills é outra balada em que Chris Robinson avalia a vida de artista, sua beleza artística e sua prostituição mercadológica ao efeito do tempo de sua própria carreira. O trabalho do novo tecladista ganha destaque nessa faixa.

Whoa Mule é a música mais otimista do álbum e foi escolhida para fechar o ritual de guerra do Black Crowes em Warpaint. Ritmos apaches, misturados com o folk europeu, canto indígena americano encontrando as raízes indianas e celtas das terras mais antigas do mundo.

COLETÂNEA DE INÉDITAS

RYAN ADAMS – Easy Tiger (2007)

Como um filho pródigo do country-rock, Adams ataca novamente com mais uma bolachinha, sendo um dos artistas que mais deve sofrer da síndrome da composição prolífica – Jack White compete com ele ponto a ponto – emendando um trabalho atrás de outro, entre uma turnê e outra. Férias não devem constar no vocabulário do caipira roqueiro.

Com faixas curtas, Easy Tiger pode figurar como uma coletânea de inéditas, pois o material deste disco parece conter um pouco de cada álbum que o músico vem produzindo desde o início desta década. Pearls on a String e Tears of Gold parecem terem saído do country Jacksonville City Nights (2005), enquanto Halloween Head e Two Hands poderiam figurar o outro extremo de Adams, como em Rock ‘n’ Roll (2003), cujo título já define o conteúdo. Dos soturnos Love is Hell (2004) e 29 (2006), as faixas Oh My God, Whatever, Ect e I Taught Myself How To Grow Old, que fecha o álbum, seriam as bolas da vez. Do primeiro álbum, o folk Heartbreaker (2000), um forte exemplo seria a bela Off Broadway. Já The Sun Also Sets e Goodnight Rose cairiam bem em Cold Roses (2005), que garantiria a taça de ouro de melhor álbum, se Adams não tivesse feito Gold (2001). A dobradinha Two e Everybody Knows poderiam ser lados B deixados fora do badalado álbum.

Provavelmente, Easy Tiger não vá figurar entre as mais celebres produções de Adams. O lançamento de 2007 se equilibra com o mediano Demolition (2002). Embora para iniciados, é tiro certeiro de agrado. Para quem não conhece, ou não tem nenhum álbum do americano, Easy Tiger é um bom motivo para começar a ouvir sem precisar mastigar álbuns mais complexos da carreira do filho de Jacksonville.

Mais Ryan Adams? O Discoteclando te fornece mais aqui!!!


NA DISCOTECA DO CREDENCIAL TOSCA

O DISCOTECLANDO criou uma maneira virtual de se passear pelas dicotecas dos amigos para conferir o que é que está rolando no som deles. A estréia ficou a cargo da nossa amiga jornalista-baterista-blogueira Ana Alice Gallo que mantém as good vibrations do mundo cultural no http://credencialtosca.blogspot.com. Enquanto isso, nosso editor aproveita para estrear a coluna Discoteclando no www.revistasonora.com. Sem mais milongas… com vocês…

CLAUSTROFOBIA SONORA

(Ou nove razões para vivenciar In Utero, do Nirvana)

NIRVANA – In Utero (1993)

Ok, galera, quando o Giul me convidou para ocupar esse ilustre espaço por um post, pensei em resenhar algo bem ao gosto do anfitrião, mas duvidei que pudesse fazê-lo melhor que o dono da casa. Pensei também que a idéia de trazer outras pessoas para o Discoteclando pudesse também fazer soprar outros ventos por esses cantos, daí escolher um álbum tão alhures – mas, na minha humilde opinião, bastante importante – quanto esse. De qualquer forma, espero que vocês gostem da viagem… ou, pelo menos, sobrevivam à ela!

1 – Sentir como um único acorde – no caso, o primeiro do álbum – é capaz de expressar a dor acumulada em anos de problemas no estômago e outras adjacências de um ser humano e dar, de alguma forma, a idéia do que se segue.

2 – Ouvir em forma de canção o livro “O perfume”, de Patrick Süskind, atualmente também em cartaz nos cinemas. A música “Scentles Apprentice” foi baseada nessa obra, que narra a história de um assassino que escalpela donzelas para fazer perfumes.

3 – Relembrar a maior declaração de amor da história dos anos 90, “Heart Shaped Box”, tão romântica quanto à moça que a inspirou, miss Courtney Love.

4 – Sentir Freud revirar-se em sua tumba de felicidade com a necessidade de um marmanjo de voltar a ser um bebê. Em seu livro “Beijar o Céu”, o jornalista Simon Reynolds analisa cada detalhe deste álbum que nos remete ao psiquiatra mais pop do século passado. Mas se você ouvir “Rape Me”, já basta.

5 – Desfrutar de recursos de gravação que levam o ouvinte a uma sala hermeticamente fechada, oca como o próprio útero, de onde Kurt Cobain, Dave Ghrol e Kris Novoselic parecem tocar. A banda conseguiu tirar o máximo de sua estadia em um estúdio para passar a sensação real de que você está do lado de fora, enquanto eles estão lá dentro.

6 – Essa mesma gravação consegue finalmente captar a energia da banda ao vivo – quando eles conseguiam, de fato, tocar alguma coisa – com distorções abusadas e um caminho sonoro que hipnotiza o ouvinte, exatamente como Kurt costumava fazer com seus espectadores.

7 – Presenciar os primórdios do que literalmente evoluiria para “Do the Evolution”, do Pearl Jam. Ouça “Very Ape”e tente não ver semelhanças.

8 – “Nevermind” já havia entrado para a história, mas tanto “Bleach”, que veio antes, como “Incesticide”, que veio depois, captaram apenas os fãs mais fervorosos. A maturidade do trabalho em estúdio de “In Utero” alçou o Nirvana ao posto de grupo a ser digerido em décadas posteriores. Se você conseguir ouvi-lo na íntegra sem enlouquecer de alguma forma ou perturbar o dedo mindinho da sua alma, saiba que é um homem de gelo. Na verdade, se você sobreviver à “Francis Farmer Will Have Her Revenge on Seattle”, já pode se considerar um iniciado.

9 – E por último, “All Apologies”, pra mim, condensa toda a melancolia contida na existência de um ser humano que conseguiu conquistar o mundo despejando seus fantasmas mais horripilantes em acordes (como os que usa nesse álbum). E, também por isso, pede desculpas.


O MELHOR GUITARRISTA DESCONHECIDO DO GRANDE PÚBLICO (ou RORY GALLAGHER)

RORY GALLAGHER
Calling Card
(1976)

Dentre os meus guitarristas preferidos e que alcançaram destaque mundial pelas suas particularidades – Jimi Hendrix pelo controle completo do instrumento; Jimmy Page pela utilização de timbres, camadas sonoras, arranjos e afinações; Eric Clapton pelo seu poder de traduzir o blues em diversos gêneros, além de ser um autêntico mestre bluseiro branco –, é o guitarrista irlandês Rory Gallagher, desconhecido do grande público, que corresponde ao amalgama que geraria se os três primeiros fossem liquefeitos.

A inventividade de Rory Gallagher ultrapassa os limites em Calling Card, lançado em 1976, é o seu oitavo lançamento solo e, o quinto com a formação que incluí Lou Martin ao piano, Rod de’Ath na bateria e Gerry McAvoy no baixo. Este álbum foi o canto do cisne para essa formação que mais se entrosou com Gallagher, potencializando o som do guitarrista.

Algumas mudanças no processo de composição de ‘Calling Card’ diversificaram o rock bluseiro dos primeiros álbuns. ‘Moonchild’ poderia figurar perfeitamente no repertório do Deep Purple. Não por acaso, o baixista da banda, Roger Glover, é o responsável pela produção do álbum. Sua participação se deve ao fato de que Gallagher, produtor de seus álbuns anteriores, buscava novos caminhos para expandir suas idéias baseadas na tradição folk-bluseira.

Essa busca fica evidente na faixa título, ‘Calling Card’, que abusa de uma levada jazz para deixar a guitarra conversar com o piano. Já ‘Contry Mile’ carrega uma potencial surpresa. Embora haja no álbum canções com ascendência jazzística, é no ritmo boogie da canção citada que percebo como ela se encaixaria na voz de Billie Holiday, pois consigo recriar na minha mente a voz da diva do jazz em um arranjo da época em que Holiday estava na Verve. O mais engraçado é que a rouquidão de Rory Gallagher que fez essa sensação tomar forma. Além da surrealista impressão, a música se destaca também pelo excelente timbre único no solo do slide de Gallagher.

Apesar dessas inovações, ele também sobe aproveitar de suas influências tradicionais para criar composições como o single ‘Edge In Blue’, que chegou ao topo da parada americana com seu início suave, e até um pouco piegas, que se transforma numa bela levada country. Os dedilhados de ‘I’ll Admit You Gone’ e ‘Barley and Grape Rag’ retratam a maestria do guitarrista na utilização da técnica sem perder a sensibilidade.

O lado roqueiro do guitarrista não fica para trás neste álbum. Da abertura com ‘Do You Read Me’ que já provoca arrepios na introdução guitarra e bateria. Enquanto ‘Secret Agent’, a faixa mais interessante do disco, revela um intrincado riff que serve como documento de que a guitarra ditou a revolução na música do século passado. Rory cria uma ótima melodia no solo da funkeada ‘Jack-knife Beat’, lembrando muito a mão-lenta de Eric Clapton.

Calling Card ainda traz em sua versão digital mais duas bônus: os power-rocks ‘Rue the Day’ e ‘Public Enemy’ – esta apareceria no álbum Top Priority (1979), mas que fora gravada primeiramente em San Francisco com a formação deste álbum – não ficam aquém da seleção do original. Esse é para deixar no repete e degustá-lo por horas.


PÉROLAS ENTRE PORCOS

WOLFMOTHER – Wolfmother (2005)

Não se pode negar. Por mais que seja evidente que há influência do rock clássico feito no fim de 60 e início de 70, no primeiro disco homônimo do power-trio Wolfmohter, a sensação déjà vu é inevitável, e não que seja algo ruim ou confuso, como é costume acontecer com este tipo de empreitada, mas é admirável. O prazer é nítido ao ouvir músicas extremamente timbradas e estruturadas aos moldes da vanguarda roqueira daquela época, e diferenciar de onde cada riff de guitarra, cada levada de bateria, ou mesmo o ataque do baixo tem origem. O Wolfmother conseguiu lançar em 2005 o álbum que a reunião do Black Sabbath original não foi capaz de reproduzir na segunda metade da década de 90. O hit Woman já pode ser eleita a Paranoid dos anos 2000.

E já que negar essas influências é algo impossível, dar nomes aos bois é mais do que óbvio e até necessário. Dimension abre a biscoito do trio australiano com riffs sabbathicos cortantes, mas a levada é puramente Grand Funk Railroad. Power-trios como o próprio ‘GFR’, o Cream e o Blue Cheer ficam evidentes em Pyramid e em Tales From The Forest Of Gnomes. A influência do pré-punk do baixo de Chris Ross se mistura com a linha melódica de guitarra e teclado em Apple Tree, além de ter um solo esquizofrênico. Enquanto White Unicorn alterna momentos pacíficos com explosões de lembrar Sabbath Bloody Sabbath, deixando o final apoteótico bem ao estilo do Led Zeppelin. E é a banda inglesa que também é lembrada nos dedilhados e do órgão de Where Eagles Have Been, além de Vagabond que fecha as edições não australianas do álbum. O timbre do vocal gritado do novato Andrew Stockdale assemelham-se ao nem-tão-novato Jack White. Outras bandas mais novas, mas também ligadas ao som setentista, dão as caras numa influência-originalmente-plágiada-dos-originais. As levadas de Kyuss e Soundgarden são recordadas pelo baterista Myles Heskett em Colossal e Mind’s Eye respectivamente.

O Wolfmother soube utilizar sutilmente os clichês progressistas sem soar chato ou enfadonho. E o melhor exemplo disto está em Joker and The Thief se apropria de introdução progressiva com o velho órgão Hammond fazendo cama para um riff de guitarra espacial. Withcraft lembra o Rush – quando ainda não era chato – aliado as flautas piscodélicas do Jethro Tull.

Love Train é possivelmente a melhor faixa do disco por diferenciar-se das demais, com percussão a la Sympathy for the Devil e um groove dançante.

Não há problema algum em ser nitidamente parecido com suas influências, desde que o som seja tão bom quanto o original. E neste caminho o Wolfmother passa com louvor, sem cair no saudosismo macambúzio. Agora é só esperar pelo próximo pacote de biscoitos do trio que já está no forno.


BEM-VINDO A COMPANHIA DE TOM PETTY

TOM PETTY
Highway Companion
(2006)

Tom Petty reaparece neste ano com mais um disco carregado de violões, em canções muitas vezes bucólicas e contemplativas, enquanto outras te fazem bater o pé ao seu ritmo.

Saving Grace abre Highway Companion dando uma amostra de como o blues pode ser modernizado sem perder sua essência. Os violões de Square One e Flirting With Time me passaram uma sensação de déjà vu, pois parecer terem saído do disco Wildflowers (1994). Tom Petty traz uma característica recorrente nas suas composições : refrões que grudam na cabeça e fazem até os mais timidos balbuciarem suas palavras. Esses refrões aparecem em Big Weekend, Night Driver, na já citada Flirting With Time e com o passar de várias audições você está cantando outros refrões sem perceber.

Down South é uma viagem de ônibus rumo as plantações de algodão do delta do Mississippi, os raios solares se degladiando com nuvens carregadas no céu, mas que parecem esperar o momento certo pra desaguar.

Roy Orbison, ex-parceiro de Traveling Wilburys, deve ter inspirado Petty em fazer Damage by Love. Enquanto Jack carrega uma levada climatizante, além de uma guitarra a la J.J. Cale. Outro companheiro de Wilburys, Jeff Lynne, aparece na produção do disco – que é co-creditada a Tom Petty e o inseparável Heartbreaker Mike Campbell – o que serve para abrilhantar o disco que leva apenas a assinatura de Petty. Mas a porção do tempero Heartbreakers começa ganhar maior destaque a partir de Turn This Car Around. O piano em This Old Town deixa sua marca, sendo uma das melhores faixas do álbum. O timbre da guitarra solo de Ankle Deep é surreal. Para fechar o disco, Petty registra The Golden Rose, que poderia muito bem ser uma faixa de The Last DJ, de 2001, e um dos melhores álbuns de Tom Petty and the Heartbreakers.

Highway Companion talvez por ser mais introspectivo não será um dos mais marcantes da carreira de Tom Petty, terá seus hits que serão figurantes em uma próxima coletânea, mas é muito mais radiofônico do que o é que considerado música boa para as rádios.


ENTRE O FOLK E O ROCK

Neil Young – Everybody Knows This Is Nowhere (1969)

Após lançar-se em carreira solo com seu primeiro álbum, o canadense Neil Young recrutou os músicos de uma banda chamada The Rockets para ensaiar e gravar em apenas duas semanas Evebody Knows This Is Nowhere, lançado em 1969, e garantir que esse registro entrasse para o grande mundo dos clássicos do rock. A química que rolou entre o guitarrista e os companheiros Billy Talbot (baixista), Ralph Molina (baterista) e Danny Whitten (guitarrista) foi de uma dose tão cavalar que, o nome da banda não poderia ser mais adequado: Crazy Horse.

Cinnamon Girl abre o disco dando amostras que a batida precisa do grupo seria a companheira perfeita para os delírios guitarrísticos de Young – sua marca registrada – e que reapareceriam ao longo do disco em Down by the River e Cowgirl in the Sand, que fecha o álbum num momento singular para todo o folk-rock da época. A voz cheia de angústia é paralelamente reconfortada pelo violino de Bobby Notkoff em Running Dry (Requiem For The Rockets), um contraponto com o resto do álbum que foi gravado praticamente ao vivo no estúdio. A música que dá título ao álbum e The Losing End (When You’re On), mostram que Young transpôs o som de sua antiga banda, a Buffalo Springfield, para sua nova empreitada. Round & Round (It Won’t Be Long) traz a participação da cantora Robin Lane, num dueto vocal com Neil, que parece desfocar da linha evolutiva do disco, mas ele mostra seu estilo inconfundível no violão e inspiração suficiente para não deixar a bola cair.

Produzido por David Briggs, o álbum permaneceu por quase cem semanas nas paradas americanas e é uma amostra do poder que o folk-rock exerceu na década de sessenta.


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