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Um garoto chamado Buddy

Num momento em que dois ícones da guitarra registram suas carreiras de modo diversificado, Keith Richards conta suas memórias em livro e Jimmy Page traça sua biografia em fotos, uma grande influência para esses senhores ingleses registra em 12 canções um eficiente panorama de sua vida musical.

Capa de Living Proof: inspiração em rótulos de Bourbon não poderia ser mais adequada.

Logo de início ele demonstra que idade não lhe deixa menos intenso. Tido como um dos últimos grandes mestres do blues ainda vivo, Buddy sopra as velas de ’74 Years Young’ com fôlego de um jovem Guy em plenos 21 anos. A maior parte das canções refletem esse espírito, trazendo à tona as rajadas de notas de timbre peculiar que tanto fizeram a cabeça dos guitarristas da invasão britânica nos anos sixties. Outras transmitem a sabedoria do tempo de produção musical, que teve início nos 50, como se abrisse um bourbon em sua época mais saborosa, transbordando pureza de seu aroma e paladar.

A vida em parceria também foi revista com a presença de B.B. King, em uma conversa que evidencia as características de ambos os músicos, mas claro, promovendo um clima calmo para a canção, fator característico das interpretações do convidado ilustre nos últimos tempos. Já em ‘Where The Blues Begins’ fica evidente que quem acompanha Buddy nesta amostra sublime do blues ligado às raízes latinas é Carlos Santana.

Sem dúvida, o guitarrista da Lousiana soube extrair de si o que há de melhor em sua extensa carreira, ao utilizá-la como inspiração para criar Living Proof, que é o melhor álbum de blues do ano e, provavelmente, uma das produções mais importantes do gênero desde os anos 80.

 

Confira o vídeo da parceria entre Buddy Guy e B.B. King na canção ‘Stay Around the Little Longer’:

Um sofá e o bandolim

O bandolinista Hamilton de Holanda soltou em 2007, o álbum Íntimo, um retrato de sua personalidade mais introspectiva.

As 12 viagens apresentam o músico sozinho debulhando lentamente seu instrumento com carinho, técnica, pegada precisa e estilo em sons escolhidos à pinça, dentro do vasto repertório da música brasileira. É obvio que o samba e choro ganham destaque em uma forma tácita e arrojada. Canções parecem se unir desde o início do álbum, com “Samba do Sonho”, até seu fim, em “Feitiço da Vila”.

O maior destaque fica para “As Rosas Não Falam”. Hamilton consegue retratar o brilho da melodia original, aliando uma interpretação comovente, que parece ser o músico parte de seu instrumento, quando a palheta passa por entre as cordas como se o vento passasse suavemente pelas flores, produzindo uma sonoridade perfumada, sugerindo o cheiro de rosas no ar.

Gravado em quartos de hotéis e casas nas cidades do Rio de Janeiro, Paris, Cayenne e Zuriche, as músicas demonstraram a introspecção do músico com seu instrumento: soando nostálgico em “Amor, saudade Amor”, que é sentida a cada nota, numa transpiração contida a cada acorde. “Senhorinha” soa como um êxtase astral, enquanto uma meditação infinita é instaurada na seqüência de “Beatriz”, “Gratitude” e “Luiza”.

Hamilton de Holanda é considerado mundialmente como um dos melhores instrumentistas do bandolim. E a prova unânime da qualidade técnica e sentimental, fazendo jus ao título recebido, pode ser comprovada em Íntimo, pois seu resultado é positivo e avassalador.

Acesse o site do músico para ouvir algumas das músicas de Íntimo.

Momento duas vozes: Hamilton de Holanda e o violonista Yamandú Costa, ao vivo no Ibirapuera.

Momento Transcontinental: HH junto aos músicos J0hn Paul Jones (eterno baixista do Led Zeppelin) e Mike Marshall.

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